Eliminar, automatizar, delegar: a ordem que a maioria das empresas troca
Antes de automatizar, há duas perguntas mais baratas para fazer. A estratégia EAD explica porque é que a ordem importa mais do que a ferramenta.
Quando uma empresa decide que precisa de "ser mais eficiente", o primeiro instinto é quase sempre o mesmo: procurar uma ferramenta que automatize alguma coisa. Faz sentido, é a parte visível do problema. Mas automatizar primeiro, sem passar pelos dois passos anteriores, é uma forma garantida de gastar tempo e dinheiro a tornar mais rápido um processo que nem devia existir.
A estratégia EAD organiza isto numa ordem simples: eliminar, automatizar, delegar. Cada palavra é um filtro, e passa se só se sobreviver ao filtro anterior.
Eliminar
A primeira pergunta não é "como fazemos isto mais depressa", é "porque é que isto se faz de todo". Muitas tarefas numa empresa sobrevivem por inércia: alguém as criou para resolver um problema que já não existe, ou para satisfazer um pedido pontual que se tornou hábito, e ninguém voltou a questionar se ainda fazem sentido.
Um relatório semanal que já ninguém lê. Uma aprovação extra que existia porque uma pessoa específica precisava de visibilidade, e essa pessoa já saiu da empresa. Uma reunião de alinhamento que existe porque sempre existiu.
O teste é simples: se esta tarefa desaparecesse amanhã sem aviso, alguém dava por isso a sério, ou só notaria que tinha mais uma hora livre? Se a resposta for a segunda, a tarefa não precisa de ser automatizada, precisa de ser cancelada.
Eliminar é o passo que mais poupa e o que menos se faz, porque não exige nenhuma ferramenta nova, só a coragem de admitir que algo deixou de ter propósito.
Automatizar
Só depois de tirar da lista tudo o que não devia lá estar é que faz sentido perguntar o que pode passar a correr sozinho. Aqui entram os processos que continuam a fazer sentido, mas que não precisam de julgamento humano de cada vez que acontecem: seguir sempre os mesmos passos, com os mesmos critérios, na mesma ordem.
Enviar uma fatura assim que um pedido é aprovado. Atualizar um CRM quando chega um novo contacto. Avisar a equipa certa quando um formulário é submetido. São processos estáveis, previsíveis e sem grande margem de decisão, exatamente o perfil que uma automação lida bem.
O erro comum aqui é automatizar processos que ainda têm exceções por resolver. Se metade dos casos precisa de alguém a decidir o que fazer a seguir, automatizar cedo demais só transforma um problema humano num problema técnico, e normalmente mais difícil de corrigir.
Delegar
O que sobra depois destes dois filtros é aquilo que continua a precisar de uma pessoa, mas não precisa de ser a mesma pessoa que está a fazê-lo agora. Muitas vezes isto acontece porque uma tarefa ficou "presa" a alguém por hábito, não porque essa pessoa seja a única capaz de a fazer.
Um exemplo comum: o fundador ou gestor que continua a responder a emails operacionais, a agendar reuniões ou a tratar de pedidos que qualquer pessoa da equipa conseguiria resolver com um mínimo de contexto. O tempo dessa pessoa vale mais concentrado noutro sítio, e a tarefa em si não desaparece, só muda de mãos.
Delegar exige documentar o processo o suficiente para que outra pessoa o consiga seguir sem depender de quem o fazia antes. É trabalho, mas é trabalho que se faz uma vez e que liberta tempo todas as semanas seguintes.
Porque é que a ordem importa
Trocar a ordem tem um custo real. Automatizar antes de eliminar significa construir um fluxo cuidado à volta de uma tarefa que devia ter desaparecido. Delegar antes de automatizar significa ensinar uma pessoa nova a fazer manualmente algo que um sistema podia fazer sozinho. E eliminar por último, depois de já se ter investido tempo a otimizar um processo, é o cenário mais caro de todos, porque o esforço de construir foi gasto num sítio onde não devia ter ido.
Seguir a ordem certa não torna o trabalho mais lento, torna-o mais barato. Cada passo reduz o que sobra para o passo seguinte, e é por isso que as empresas que aplicam esta lógica costumam gastar menos em automação, não mais: chegam à ferramenta certa só depois de já terem cortado o que era desnecessário.
Antes de perguntar que ferramenta usar, vale sempre a pena percorrer a lista de tarefas da equipa com estas três perguntas em mente. É provável que uma parte simplesmente desapareça, outra parte se automatize sem grande esforço, e só o que sobrar mereça mesmo uma conversa sobre quem devia estar a tratar disso.